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PIEMONTE — QUANDO O TERRITÓRIO SE TORNA PRECISÃO

29 de ago.
2 min de leitura

Atualizado: há 16 horas

Piemonte começa na taça. Mas só se revela quando aprendemos a olhar para o território.
Piemonte começa na taça. Mas só se revela quando aprendemos a olhar para o território.

Há regiões vinícolas que podem ser compreendidas por uma uva. Outras, por um estilo.


Piemonte exige que se olhe para o lugar.

No noroeste da Itália, protegido pelos Alpes e desenhado por sucessões de colinas, o Piemonte construiu uma cultura do vinho em que pequenas distâncias podem produzir diferenças extraordinárias. Langhe, Roero e Monferrato não são apenas nomes no mapa: são territórios nos quais altitude, exposição, solo e microclima interferem diretamente na maneira como uma mesma variedade se expressa. É por isso que falar de Piemonte apenas através de Barolo seria reduzir uma das regiões mais complexas da Itália.


A Nebbiolo é, inevitavelmente, sua grande protagonista. Uma uva fascinante justamente pelas aparentes contradições: pode apresentar uma cor menos concentrada do que se esperaria de um grande tinto e, ao mesmo tempo, entregar taninos firmes, acidez elevada, enorme complexidade aromática e extraordinária capacidade de evolução.


Em Barolo e Barbaresco, ela alcançou reconhecimento mundial. A uva é a mesma. O que muda é o lugar — e essa diferença é fundamental para compreender Piemonte.


Mas há outra região que merece atenção: Roero, do outro lado do rio Tanaro. Ali, a Nebbiolo encontra outra expressão e divide protagonismo com a Arneis, variedade branca que revela uma face menos óbvia do Piemonte. E há ainda a Barbera, historicamente profundamente ligada à mesa piemontesa. Com sua acidez característica e generosidade de fruta, oferece outra leitura da região. Ao lado dela, Dolcetto, Cortese e outras variedades ajudam a desmontar a ideia de que Piemonte se resume aos seus vinhos mais célebres.

O que me interessa particularmente nessa região, como curadora, é justamente essa precisão geográfica.

Quanto mais se conhece Piemonte, menos suficiente se torna dizer apenas “vinho italiano”. Depois, já não basta dizer “Piemonte”. Começamos a procurar a denominação, a comuna, a encosta, o produtor, a safra.


O olhar se aproxima. E o vinho se torna mais específico.

Está aí uma das maiores sofisticações do Piemonte: não fazer do prestígio seu único argumento.

Barolo pode ser seu nome mais reconhecido, mas compreender a região é perceber tudo o que existe ao redor dele — outras uvas, outros territórios, outras hierarquias e expressões que ajudam a explicar por que este pedaço da Itália ocupa um lugar tão singular no mundo do vinho.


Piemonte não pede apenas para ser provado. Pede para ser compreendido.


VIN SANTÉ JOURNAL

Curadoria Italiana Contemporânea

 
 
 

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