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Por que duas pessoas podem provar o mesmo vinho — e discordar completamente?

há 6 dias
2 min de leitura

Atualizado: há 16 horas

Duas pessoas podem dividir uma garrafa sem jamais provar o mesmo vinho.


O vinho é o mesmo. Os sentidos, não.

Duas pessoas dividem a mesma garrafa.

Uma percebe acidez marcante.A outra, frescor.

Uma encontra frutas maduras.A outra reconhece especiarias.

Para uma, o vinho é intenso.Para a outra, delicado.

E nenhuma delas precisa estar errada.


NÃO SENTIMOS DA MESMA FORMA

Nosso sistema sensorial não é uma régua universal.

A sensibilidade ao amargor, à acidez, à doçura, aos aromas e até à sensação provocada pelo álcool varia de pessoa para pessoa.

Existem diferenças individuais nos nossos receptores gustativos e olfativos — algumas delas relacionadas à própria genética.


Aquilo que chega à taça é igual.A maneira como cada organismo recebe esse estímulo, não.


EXISTE UM LIMIAR

Para perceber determinado aroma ou sabor, sua intensidade precisa ultrapassar o nosso limiar de percepção.

E esse limite não é igual para todos.

Um composto aromático pode ser imediatamente perceptível para uma pessoa e quase imperceptível para outra.

É por isso que alguém pode dizer:

“Sinto claramente.”


Enquanto outra pessoa, diante da mesma taça, responde:

“Eu não sinto nada disso.”

As duas experiências podem ser reais.


NOSSO CÉREBRO PRECISA RECONHECER

Sentir um aroma e conseguir identificá-lo são coisas diferentes.

Nós reconhecemos melhor aquilo para o qual já construímos uma referência.

Quem conhece o cheiro de cassis pode encontrá-lo rapidamente em uma taça.Quem nunca teve contato com ele pode perceber o aroma — mas não conseguir nomeá-lo.


Repertório não cria necessariamente o aroma. Ele nos ajuda a reconhecê-lo.


ENTÃO QUALQUER OPINIÃO VALE?

Não exatamente.

Existe uma diferença importante entre preferência pessoal e avaliação técnica.

Um vinho pode apresentar equilíbrio, estrutura, persistência e tipicidade — e, ainda assim, não agradar você.

Da mesma forma, você pode amar um vinho simples.


Qualidade e gosto pessoal não são sinônimos.


É justamente aí que a degustação fica mais interessante.


DISCORDAR FAZ PARTE DA TAÇA

Degustar não deveria ser um exercício para descobrir quem encontrou a resposta correta.

É observar. Comparar. Criar referências. Voltar à taça.

Conhecimento aprimora nossa capacidade de perceber e interpretar um vinho.

Mas não transforma nossos sentidos em cópias uns dos outros.


Quanto mais aprendemos sobre vinho, menos precisamos provar que sentimos todos a mesma coisa.


UMA TAÇA. DUAS EXPERIÊNCIAS.

Na próxima vez em que alguém encontrar no vinho algo completamente diferente do que você encontrou, experimente não procurar imediatamente quem está certo.

Pergunte:

“O que você sentiu?”

A resposta pode revelar tanto sobre a pessoa quanto sobre o próprio vinho.

E você?

Já provou um vinho que alguém amou, e você simplesmente não entendeu o motivo?


VIN SANTÉ

Curadoria & Relacionamento

 
 
 

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