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Vinho caro é realmente melhor?

23 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: há 19 horas

Às cegas, o vinho perde o status e recupera a taça.



O que existe entre preço, prestígio e qualidade na taça.


Imagine duas taças diante de você. Em uma, um vinho de R$ 150.

Na outra, um vinho de R$ 1.500. Você conhece os preços.


A pergunta é: você ainda está provando apenas o vinho?


Antes mesmo do primeiro gole, alguma coisa já aconteceu.


  • O nome do produtor.

  • A região.

  • A safra.

  • A denominação.

  • Uma pontuação.

  • Uma história que você ouviu.

  • E, inevitavelmente, o preço.


Tudo isso chega à taça antes do vinho.


É justamente aí que comece uma das conversas mais desconfortáveis — e interessantes — sobre o universo do vinho.


O preço também cria expectativa


Há razões muito concretas para uma garrafa custar caro.


  • Vinhedos pequenos.

  • Baixíssimos rendimentos.

  • Colheitas manuais.

  • Seleções rigorosas.

  • Terrenos difíceis de cultivar.

  • Produções limitadas.

  • Longos períodos de amadurecimento.

  • Anos de trabalho antes que uma única garrafa chegue ao mercado.


Existe custo na excelência.

Existe custo no tempo.

Existe custo na raridade.


Seria ingênuo ignorar isso. Mas seria igualmente ingênuo acreditar que todo preço elevado é uma tradução direta daquilo que encontraremos na taça.


Porque chega um momento em que outros elementos entram nessa conta.


Prestígio.


Reputação.


Pontuações.


Demanda.


Colecionismo.


Escassez.


Marca.


E o preço começa a contar uma história que já não está inteiramente dentro da garrafa.


Quanto do vinho está no vinho? Talvez a pergunta mais interessante não seja por que determinadas garrafas custam tanto.


Talvez seja outra: em que momento deixamos de pagar pelo vinho e começamos a pagar pelo desejo de possuí-lo?


É uma fronteira difícil de identificar. Um vinho de R$ 600 pode apresentar uma diferença extraordinária em relação a um vinho de R$ 100. Mas um vinho de R$ 6.000 será dez vezes melhor que aquele de R$ 600? Provavelmente essa nem seja a pergunta correta. Qualidade não cresce matematicamente junto com o preço.


A partir de determinado patamar, começamos a pagar cada vez mais por diferenças cada vez menores — ou por atributos que ultrapassam aquilo que podemos simplesmente provar.


Origem. História. Raridade. Prestígio.


E desejo.


O rótulo também entra na taça


Há algo ainda mais provocador.


Saber o que estamos bebendo pode alterar a maneira como bebemos.


Uma garrafa rara nos faz prestar mais atenção.


Um grande nome cria expectativa.


Conhecer a história de um vinhedo centenário pode nos fazer procurar naquela taça nuances que talvez passassem despercebidas em outro contexto.


Isso significa que fomos enganados? Não.


Significa apenas reconhecer algo que o vinho sempre soube muito bem: beber nunca foi uma experiência exclusivamente sensorial.


Nós bebemos também histórias, lugares, lembranças, expectativas e símbolos. O contexto não substitui a qualidade. Mas participa da experiência.


Caro e valioso não são sinônimos É aqui que a curadoria se torna importante. Não se trata de procurar a garrafa mais cara. Nem de celebrar o vinho mais barato apenas porque oferece uma boa relação entre preço e qualidade.


Trata-se de entender o que justifica aquela garrafa existir naquele preço.


Há trabalho ali?


Há território?


Há identidade?


Há uma história verdadeira?


E, principalmente, há vinho suficiente para sustentar tudo aquilo que o rótulo promete?


Porque um vinho pode custar muito e entregar pouco. Outro pode custar muito menos e permanecer na memória durante anos. E existem aquelas raras garrafas em que território, produtor, tempo, qualidade e emoção parecem finalmente ocupar o mesmo lugar. São elas que tornam essa discussão tão difícil.


Então, vinho caro é realmente melhor?


Às vezes, sim. Às vezes estamos pagando pelo tempo que ele levou para existir. Pela dificuldade de produzir naquele lugar. Pela pequena quantidade disponível. Pela história de uma família. Por um vinhedo que não pode ser reproduzido em nenhum outro lugar do mundo.

E, às vezes, estamos pagando pelo nome escrito no rótulo.


Aprender a distinguir uma coisa da outra talvez seja uma das partes mais fascinantes de conhecer vinho. Porque preço e valor nunca foram exatamente a mesma coisa. Preço é aquilo que alguém pede por uma garrafa.


Valor é aquilo que permanece depois que ela está vazia.


VIN SANTÉ — Curadoria Italiana Contemporânea

 
 
 

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